quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Public Service VS Serviço Público

Nestes dias andamos com a cabeça ocupada a tratar dos papéis da imigração: preencher forms, tirar fotocópias, fotografias, comprovativos, certificados, etc etc.. Uma carrada de papelada que serve para os serviços de imigração avaliarem a nossa relação, condições de sustentabilidade, estudos, histórico, etc etc.
Para a imigração eles pedem também o meu registo criminal nos países onde estive a viver por mais de 6 meses. Fazendo as contas isto significa que tenho de lhes providenciar o meu registo criminal de Portugal bem como o do Canadá.
Há pouco mais de um mês fui ao consulado de Portugal em Toronto pedir o registo criminal. Como a informação teria de vir de Portugal fui tratar de saber como é que se pedia o dito cujo bem como o tempo que seria necessário.
O engraçado é o facto de que já estou cá vai para seis meses, e já me tinha esquecido de como eram os serviços públicos portugueses. Depois de estar 15min à espera numa sala com meia dezena de pessoas e nenhuma delas a ser atendida, os fantasmas do passado começaram a vir à minha memória: a famosa pasmaceira portuguesa e os famosos funcionários públicos que se movem ao ritmo do mais lento dos moluscos. Nesse dia tive mais de uma hora e meia para tratar de pedir o registo criminal numa sala em que as pessoas que lá estavam contavam-se pelos dedos das mãos.
Pelos vistos não são só as leis portuguesas que se aplicam em solo consular. A incompetência também está presente.
Hoje foi em tudo igual e diferente.
Como já temos quase tudo o que precisamos para a imigração, fui tratar de pedir o registo criminal do Canadá. Para isso dirigi-me à policia no centro de Toronto. Levei um documento preenchido que obtive na internet na página da policia e dois documentos de identificação. Cheguei lá estava uma pessoa à minha frente. Esperei o que pareceu 5 seg e fui atendido. Dei o papel e os IDs ao agente que lá estava. Ele meteu uns certos a seguir às coisas que escrevi no formulário e pediu-me para pagar 20 e poucos dolares. Paguei e sai... Ou seja, basicamente aquilo que estive a fazer em "solo" português e que demorou 1h30 fiz no serviço público no Canadá e demorou 5 min.
Infelizmente por pura inocencia minha resolvi passar pelo consulado português a perguntar se o registo já estava pronto ( entre 4 a 6 semanas disseram eles ). Cheguei lá já preparado mentalmente para me ir encontrar com o contrário daquilo que havia acabado de presenciar na policia... mas mesmo assim a estupidez da situação conseguiu-me surpreender. Entrei, tirei a senha e esperei.. e esperei.. e esperei... ( com a recepção vazia e um casal à espera tb ). Passado uns 5 min o homem na recepção chamou a senha antes da minha. O casal levantou-se e foi para lá... Aparentemente pelo que percebi da conversa eles tinham um problema familiar e judicial qualquer e queriam saber informações... Mas eles ( e aparentemente o homem na recepção ) nao se devem ter apercebido que aquilo não é um consultório judicial e que o homem que ali esta não exerce advocacia... Mas com o tempo a passar começei a pensar do contrário.. pelos vistos o homem exercia de facto advocacia.. é que nem ele nem o casal se calavam. Debatiam coisas legais, familiares etc etc... Isto tudo a acontecer na recepção de um consulado com pessoas a entrar e a encher as cadeiras disponiveis. Após quase 1h e com a sala ja com umas 10 pessoas eles acabam de falar e finalmente o homem chama-me.
Chego à recepção e digo "Aleluia! Confetis confetis... era para ver se o registo criminal que pedi está pronto". O homem agarra no comprovativo que lhe tinha acabado de dar e ..... e.... e.... Rasga-o! Sim, leram bem... ele rasga-me o comprovativo de pagamento... eu feito parvo digo-lhe.. "entao mas porque é que raio me rasgou isso.. eu so quero saber se esta pronto ou nao". Ele vira-se e diz ( tipicamente português ) "Eu se fosse a si nao me preocupava com isso.. estou mais preocupado em ganhar a lotaria"...... Mas em que planeta fui eu parar quando entrei naquela porta... ah ah ja me lembro.. isto é como se fosse Portugal.. a estupidez, a falta de respeito está ca toda...
Mal por mal o homem lá me disse que estava pronto e foi la para dentro provavelmente buscar o dito cujo registo.... e esperei e esperei e esperei... Passado um bocado ele lá apareceu e pergunta-me:
- "O que tinha pedido foi o Bilhete de identidade não foi?"
- "Não!"
- "Ah pois, foi o registo criminal.. pois esse não está pronto"
- "Então quer dizer que o BI que NÃO pedi, esse sim está pronto!?" - perguntei eu com ironia.
- "Ah não. Pois eu tinha feito confusão e na minha cabeça tinha percebido BI".
E pronto... não é preciso dizer que uma hora depois, eu sai daquele edificio da mesma maneira que tinha entrado... só que estava uma hora mais velho....
Outras diferenças engraçadas.
Portugal:
- Tive de ir ao banco pedir um money order de 5euros passado aos serviços portugueses para pagar o registo criminal português... o banco levou $7,5 para pedir esse order...
- O registo criminal demora entre 4 e 6 semanas ( o homem hoje disse que sera provavelmente 2 meses )
- Tenho de ir lá ao consulado buscar o registo.
Canadá:
- Paguei o registo com cartão de débito ( passar, marcar o codigo e já está)
- Demora 2 semanas.
- Vem para casa por correio.
Aqui no canadá o serviço público realmente funciona....

domingo, 1 de novembro de 2009

High Park

Este Sabádo decidimos ir fazer uma visita ao High Park. Já lá tinhamos estado uma vez durante o Verão, mas sem dúvida que não podiamos ter feito melhor escolha em irmos lá uma segunda vez, agora durante o Outono.

Este parque situado a Oeste do coração da cidade de Toronto é aclamado por muitos como a jóia da coroa no que respeita a parques situados na selva urbana. Possui 161 hectares onde 1/3 dessa área ainda está preservada em pleno estado natural. Devido a isso possui uma fauna e flora imensa.

Quando lá estivemos na primeira vez tinhamos gostado muito do que vimos. O parque é imenso e fornece várias actividades aos seus visitantes. Para além disso existem alguns caminhos pedrestes para se fazer no meio da florestação, relvados imensos para se fazerem piqueniques ou simplesmente jogar um jogo de frisby, soccer ou ténis entre a familia e amigos. Foi isso que vimos durante a nossa primeira visita ao parque. Casais e familias a passear, a correr, andar de bicicleta, patins em linha: um ambiente normal num dia de verão.

Este Sábado andámos por muitos dos caminhos que fizemos durante essa primeira vez e foi extraordinária a diferença entre eles nas duas estações. Onde antigamente existiam os relvados verdejantes existia agora um tapete de folhas secas e coloridas a reflectir a luz dourada do sol. Muitas árvores já estavam totalmente despidas enquanto outras ainda conseguiam manter algumas folhas que ainda resistiam nos ramos. Foi impressionante assistir ao contraste dos cenários e à luminusidade do ambiente. Tudo tão magnificamente coordenado que parecia ter saido do pincel de um dos mais talentosos artistas renascentistas.

E não eramos apenas nós que aproveitavamos esse quadro. Inúmeros casais passeavam por entre os carreiros que agora mal se viam devido à quantidade de folhas secas. Outros andavam sozinhos com as suas tecnologicamente avançadas máquinas fotográficas a tentar captar nas suas objectivas aquilo que não podia ser perdido com mais um pôr-do-sol.

Ficam aqui mais algumas fotos que não mostram nem um décimo daquilo que é a realidade. Amanhã, onde hoje está o contraste multicolor, irá estar um manto branco. E onde hoje estão os casais de namorados a tirar fotografias deitados no castanho seco das folhas, irão estar grupos de crianças sorridentes com os seus trenós, a serem empurrados pelos pais para mais uma descida vertiginosa de alguns metros por entre outras familias que se ocupam a fazer bonecos de neve. E nós lá estaremos para assistir a isso.

O High Park é assim: um local diferente dependendo da estação do ano, onde tanto nós como os animais nos adaptamos à natureza e tiramos o melhor partido do que ela nos ofereçe.
















sábado, 31 de outubro de 2009

The Fall


O Outono no Canadá traduzido em imagens.

Somos uns sortudos por todos os dias sermos presenteados com tamanha beleza logo à porta de casa. Bem dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Ficam aqui então alguns milhares de palavras a descrever o cenário que diariamente nos envolve.












quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dears in the backyard on a Sunday morning


Não queriamos deixar passar algo que não nos deixou nada indiferentes este fim-de-semana. Não é todos os dias que somos presenteados com uma imagem destas num domingo de manhã. Olhámos pela janela e vimos dois veados fêmea em pleno quintal.

Parecia que estavamos em plena floresta, a ver os veados pastar e a ouvir o grasnar dos patos no seu voo de migração para Sul.

Ficam aqui algumas fotografias, que vocês poderiam muito bem dizer que foram foi tiradas num qualquer jardim zoológico, não fosse estar ali a ver-se o escorrega amarelo dos filhos dos nossos senhorios.






quarta-feira, 21 de outubro de 2009

The guy from the subway

Era um dia normal, como muitos outros. A Sara tinha saido do trabalho e eu tinha ido ter com ela para ver se enchiamos de novo o frigorifico. Fomos ao outro lado da cidade onde as coisas são mais baratas. Mais uma vez a Sara tentou usar o mesmo bilhete para a viagem de volta, mas a mulher desta vez estava a olhar e lá tivemos de pagar. Não podemos ter sorte todos os dias...

Enfim, era um dia como muitos outros.

Vinhamos no metro a conversar. Pessoas sentadas à nossa volta faziam o mesmo que nós: esperar chegar ao destino.

À nossa frente um casal de desconhecidos que aparentavam ter a nossa idade. Do nosso lado esquerdo, à frente, dois homens falavam um inglês perfeito. Aparentavam ser pessoas da rua e conversavam alegremente. Do lado esquerdo mas atrás, estava uma mulher e um rapaz novo com um portátil. Atrás de nós apenas reparei apenas que estava alguém.

A nossa conversa centrou-se nos mais diversos temas. Começámos por falar em coisas como comida para o jantar, depois passámos um bocado pelas vacinas da gripe A e a contestação que há em volta disso aqui no Canadá. Falámos no sonho da Sara sobre alienigenas, falámos na formação de nuvens que apareceram na Russia há uns dias que mais parecia um OVNI. Debatemos sobre a diferenca entre "Ver" e "Olhar", o que é real ou não; se é possivel ver antes de pensar. Enfim, foi uma parafernália de coisas que já não me lembro de metade delas... Passámos pela culinária, ciencias, quimica, teoria da conspiração, psicologia, sociologia, psicanálise. É como disse... era um dia normal...

No meio da conversa um dos homens que pareciam ser sem-abrigo... ou apenas alguém com dificuldades financeiras... saiu, deixando o seu companheiro sozinho entregue aos pensamentos e ao barulho constante das rodas nos carris. Mas aparentemente viemos nós a descobrir, ele não estava apenas atento a isso.. Numa das paragens as carruagens começaram a abrandar e ele levantou-se.. caminhou na nossa direcção e disse-nos em Inglês: "Estive a ouvir a vossa conversa e gostei de estar a ouvir sobre aquilo que falaram. É que eu falo um bocado de Português. Dá para ver o quanto vocês são um casal de apaixonados!" Não tenho a certeza mas a Sara pensa que ele também disse "Obrigado por me ajudarem".
Nós rimo-nos e eu aparvalhado so me lembrei de dizer "Epá... obrigado".... Lá fora.. fez o gesto de como se tivesse a dar uma passa num cigarro e de seguida apontou para o coração piscando o olho..


Tinha deixado de ser um dia normal....

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Quase 6 meses

No final deste mes vai fazer 6 meses que estou no Canada.
Este mes vou fazer 26 anos.
Vai fazer 3 meses que estou a estagiar no banco, e a viver na casinha com meu amor.
Fez um mes que estou casada.
Vamos finalmente comecar a enviar papeis para a imigracao.

Mal posso esperar para estar tudo como a gente quer. Mas tambem, quando tiver depois queremos mais alguma coisa :)

Eu acho que estamos a seguir um bom caminho, pode nao ser o melhor de todos que existem, pode nao ser o mais facil, ou mais dificil, mas penso que seja bom.

As vezes tenho saudades de Portugal, da familia, dos amigos, daquele convivio que nao vai haver ca' assim tao cedo, da minha cadela ao qual eu ja' chorei por :( de pequenos momentos do passado.
Penso em como seria a nossa vida se a gente nao tivesse tomado a decisao de vir para o Canada... imagino eu que estariamos bem da vida... que podia estar se calhar mais feliz com tudo 'a volta... mas para que' pensar no que podia acontecer se podemos pensar no que pode acontecer daqui para a frente, isso sim podemos mudar.

Se calhar se a gente continuasse la' a vida seria simplesmente "normal", nao havia tanto sacrificio, seria apenas seguir a vida.
E assim, ca’ e’ mais a vida que esta’ a seguir a nos, e assim e’ que deve ser !
Temos um sonho, e estamos a fazer para ele ser concretizado.

As vezes nao gosto, ou detesto, de termos que depender de muita coisa. E essas coisas e’ que sao O Negativo que balanca a nossa relacao Positiva.
Ou seja, se fossemos depender apenas em nos, a vida seria magnifica, havia sorrisos todos os segundos, estariamos a viver no paraiso.

Mas se nao ha mau, nao saberiamos o que era bom.
Tem que haver balanco. Entao temos que saber como lidar com o mau, e transforma-lo em bom !
Estou sempre a dizer "pensamento positivo" ! :)

Espero que a gente pense no futuro que valeu a pena, que crescemos, que um dia dizemos "agora sim podemos descansar".

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Thanksgiving - do peru tostado aos cavalos de corrida

Ontem foi o nosso primeiro Thanksgiving no qual participámos. Tal como o thanksgiving Americano, o Canadiano começou por existir para mostrar o agradecimento por um bom ano de colheitas. Devido ao facto do Canada estar mais a norte que os Estados Unidos, o final das colheitas acaba mais cedo e daí o thanksgiving se celebrar um mês antes.
Basicamente é como se vê nos filmes, a familia toda se reune em volta de uma mesa repleta de doces, cozinhados e iguarias entre os quais não pode faltar a apple pie e o turkey (tarte de maça e perú)
É mais uma época festiva em que não fazemos mais nada senão passar tempo com a familia e amigos em volta de uma mesa e falar rir e comer até não poder mais.
Foi giro celebrar um dia diferente e comer pela primeira vez peru assado no forno. Serviu para começarmos a ganhar o gostinho para o natal. Ah e também para encher o frigorifico cheio de restos de bolos, pudins e doces.
Antes de irmos para casa passámos pelo casino e pelas corridas de cavalos. Uma coisa engraçada é que aqui só podem entrar maiores de idade, mas qualquer pessoa que aparente ter menos de 30 anos vai para a filazinha mostrar a identificação. Meti-me na fila enquanto procurava por um cartao que tivesse a minha foto. So tinha dois: a carta de condução e o cartão de cidadão. Tudo coisas portuguesas. Decidi-me por um e quando chegou a minha vez mostrei-lhe o CU (Cartão único). Ela pegou naquilo e olhou para ele como se ja não fosse a primeira nem décima vez que olhava para uma coisa daquelas.. meteu o cartão à minha frente e fez uma comparaçao a olho entre a foto que estava no cartao e a minha cara daquele dia.. gastou uns miseros 5 segundos a saltar o olhar entre um e outro quando finalmente lá disse que podia passar. Tive sorte porque agora tenho barba e no cartao nao tinha :P
Lá dentro do casino é tudo a mesma coisa. Gente de todos os tipos e feitios, uns ricos, uns pobres, uns viciados, outros turistas. Tudo ali a espetar notas dentro de maquinas e a carregar frenéticamente no botão para rodar a slot machine. Vi uns a ganhar vi uns perder, mas basicamente é tudo a mesma coisa... vicio estupido..
As corridas de cavalos foram giras. Apesar de serem já quase 11 da noite ainda estavam a decorrer corridas e apostas. Sentamo-nos e tivemos um bocado a ver o que saia dali. Vimos duas corridas e na segunda resolvemos apostar so na brincadeira nos cavalos.. Eu apostei no numero cinco e como seria de esperar ( visto que não tinha apostado um centimo ) ganhei!
E assim se passou mais um dia. Saimos e fomos para casa. Na rua estavam temperaturas a rondarem os 4º.
P.S - Liguem o forno se tiverem frio.. é bom para aquecer a casa :) desde que seja pequenina como a nossa.